A FOTOGRAFIA EM PB NA ERA DIGITAL

Sempre gostei de fotos em tons de cinza, ou seja da gama que vai do branco ao preto ou vice-versa possível de reproduzir na impressão final. São os nuances de dégradé que fazem a magia da foto “monogramática”. Saudosista mantinha um equipamento para filmes, uma Voightlander Bessa R3M equipada com uma lente Carl Zeiss Biogon 35mm f 2 e a caixa plástica mantida no refrigerador cheia com Kodak Tri-X.

Uma companheira e tanto, minha Voigthlander Bessa R3M (Foto: © Pepe Mélega)

Uma companheira e tanto, minha Voigthlander Bessa R3M (Foto: © Pepe Mélega)

No estúdio há todo o necessário para revelação de minhas capturas, mas por volta do ano de 2002 parei de ampliar pelo processo químico e optei por faze-lo em impressoras jato de tinta. Longo aprendizado, algumas frustrações e muitas alegrias, experiências com pigmentos a base de carvão, tintas diversas até me render em definitivo as atuais tintas de pigmentos minerais. Os papeis também foram um aprendizado, talvez pior que as tintas, fibras de algodão, celulose, arroz, bambo que o mercado oferece com apelos de marketing que vão da reprodução de tons ao corretamente ecológico. É bárbaro, mas como o tempo aprende-se que a imagem por você criada fica mais adequada a um ou dois tipos de papéis que passam a ser seus eleitos – um aparte: Não é o papel mais caro, não é o papel mais usado pelos amigos e sim aquele que reproduz a imagem como você deseja apresenta-la.

As paisagens em PB uma forma de fotografia imortalizada pelo fotógrafo americano Ansel Adans

As paisagens em PB uma forma de fotografia imortalizada pelo fotógrafo americano Ansel Adans (Foto: © Pepe Mélega)

Ai começa a polêmica, por que a fotografia PB digital é inferior a feita com filme e finalizada em processo químico? Queria muito entender por que tantos insistem em afirmar que uma é menos que a outra, afinal é fotografia, o que muda é o processo para chegar ao resultado final. Mas se formos avaliar com profundidade veremos que a fotografia PB digital é muito mais precisa que a química – quanto a isso não há duvida. No aspecto arte, as imprecisões podem valorizar a imagem para colecionadores e ou museus? Afinal os tapetes orientais como os persas tinha esse “marketing” no momento da venda. Novo aparte: A fotografia é um processo reprodutivo, e assim sendo quanto mais perfeita a reprodução melhor. Entenda que a reprodução perfeita, não é o detalhamento do que se capta e sim a reprodução idêntica do que você criou na sua captação.

23 St, NYC - NY feito com uma câmera compacta, mais pensando em PB para tirar o máximo do equipamento na conversão (Foto: © Pepe Mélega)

23 St, NYC – NY feito com uma câmera compacta, mais pensando em PB para tirar o máximo do equipamento na conversão (Foto: © Pepe Mélega)

Processos a parte deixo meu depoimento: A fotografia PB digital alterou meu saudosismo. Me permitiu carregar menos equipamentos – é vamos ficando mais velhos e isso passa a ser preocupação também, rssss. Também me permitiu ser mais preciso, minhas tonalidades estão mais ricas, as passagens mais suaves e a reprodução infinitamente mais precisa. A magia da fotografia em PB não foi mudada, mudou o processo – não menos complicado para termos imagens de qualidade. Quando se capta é preciso pensar no preto, nas sombras, afinal o branco já está no suporte que será usado tanto no processo químico quanto digital + impressão jato de tinta. Muda a latitude, no digital ela é maior, o que permite saber onde e quando sacrificar (tomar decisões) entre altas e baixas luzes. É preciso ser fotógrafo e agir como tal. Fotografia digital PB, não é errar na captação digital a cor e transforma-la em PB para salvar o erro cometido.

Imagem fruto de captação em FIlme, Kodak Tri X, negativo digitalizado.

Imagem fruto de captação em FIlme, Kodak Tri X, negativo digitalizado. (Foto: © Pepe Mélega)

A fotografia de rua (street shot) é outra com vários adeptos do uso de PB.

A fotografia de rua (street shot) é outra com vários adeptos do uso de PB. (Foto: © Pepe Mélega

Fotografia digital em PB é ótima, nada deve a outro processo e possui a vantagem de ficar longe de químicos que muito prejudicam a saúde de quem os manipula e compromete o meio ambiente já tão sofrível. Mas pense em PB quando for captar, faça suas fotos serem mais ricas em nuances/passagens e esqueça aquele contraste exagerado para esconder erros cometidos no momento do click.

A conversão depende de sua interpretação, mas há hoje excelentes WS como o da Madalena Centro de Estudo da Imagem com Clicio Barroso que fornece excelente informações para você criar sua linguagem, ou melhor a sua forma de como quer que vejam o seu PB.

Ótimos cliks

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~ por Pepe Mélega em 30/05/2013.

2 Respostas to “A FOTOGRAFIA EM PB NA ERA DIGITAL”

  1. Pepe, fotos lindas e artigo muito interessante. Parabéns!

    Abração,

    clicio

  2. Fotografia é e será sempre um grande e maravilhoso mistério

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