Arte, Anarquia ou depende de quem assina?

Putz, parece loucura o título acima, né. Mas não é! É sim de fato uma critica ou melhor um fato do que acontece com a fotografia atual em nosso querido Brasil. As imagens já não fazem diferença e sim quem as assina e pior – em algum casos, quem as apresenta ao publico! Não sou o primeiro a escrever e ou falar sobre o assunto, já houve e há outros com o mesmo pensamento em nosso meio, cheguei a pensar que não entendi a fotografia atual – rotulada de contemporânea, mas não é isso de fato.
A arte parece mudar – e a máxima de que a arte não precisa se entender está mais em moda do que nunca, já que poucos entendem o que o artista quer demonstrar – pelo menos alguns. Não sou um cara do passado – apesar de já ter deixado cinqüenta e oito anos para trás. Adoro ver a “modernidade” principalmente quando essa é consistente e que aos poucos vai me fazendo entender a intenção do autor.
Tenho visto muitas coisas boas, mas também algumas difíceis de acreditar que ganharam espaço para serem apresentadas. Mas o pior que vi no começo da década atual foi uma exposição de um fotógrafo muito talentoso onde o texto do curador foi apresentado com mais destaque no tamanho e na iluminação do que as próprias fotos desse. Não acham estranho? Onde está a máxima de que as imagens devem falar por elas e pelo autor? Sucumbiu a mágica dos curadores atuais? é isso! No mundo atual da fotografia mais vale a escrita do curador do que as imagens representam? Saudade de ver a elegância de fotos montadas em exposição por onde a curadora e colecionadora Rosely Nakagawa passou, onde o texto se limitava a apresentar o autor e sua idéia em poucas e bem colocadas palavras e o deleite era olhar as imagens e perceber quanto o pequeno texto deixava-me apreciar o que de fato importava: AS FOTOGRAFIAS

Arte, Anarquia ou depende de quem assina é na realidade um ensaio com doze (12) imagens que podem ser vistas clicando aqui.

Abraços

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~ por Pepe Mélega em 03/08/2012.

9 Respostas to “Arte, Anarquia ou depende de quem assina?”

  1. No Foto Escambo a imagem vale mais que o nome!

  2. Pepe, meu amigo, como sempre muito lúcido. Não achei que foi um desabafo. Uma constatação, isso sim!

  3. É a fotografia e suas novas tendências Pepe. Eu particularmente estou gostando muito dos processos híbridos que envolvem imagens com outras artes visuais.Abraço

    • Miriam Cardoso, desculpe interação com outras artes visuais sim, isso é um processo híbrido, mas como um texto de apresentação de um autor e suas fotos, feito por um curador, aparecendo mais do que as imagens em si? Pense nisso, por favor. Bjks

  4. Muito bom Pepe, eu tbem penso como voce, e acho ainda que tudo depende da”explicação sobre o tema fotografado”, quando o autor da foto tem que argumentar sobre o que a fotografia significa no”atual cenário contemporâneo”. Eu nunca entendo nada disso, para mim uma imagem fala por si só quando agrada, te aquece, ou quando te choca, te gela. Abraços.

  5. Pepe;

    Arte, no nosso tempo, é diferente do que foi durante o período anterior que nos é referencial. Por quê? Ora, porque ela não tem mais, como teve, um papel de busca de novas formas de perceber, busca essa que criou o prestígio da arte. No mundo de hoje arte é tão somente entretenimento na maioria dos casos, e esse entretenimento tem, digamos, “produtores” que são os curadores. Os curadores são o filtro que apresenta algo como arte, e assim fazendo são eles as instâncias que definem o que é arte ou não, o que é “fotografia-arte” ou não. E, cá entre nós, isso tem muita influência do que dá dinheiro…

    Se há hoje quem faz arte como antes? Sim, há, em diversos ramos das artes plásticas, mas no sistema atual do entretenimento dentro do qual a arte hoje existe, esses não são aquilo que conduz. Uns são bem considerados como artistas, mas não dominam o processo público chamado de arte. Ao público comum o que existe o que se faz hoje é arte-entretenimento para seus fins de semana irem a um museu e lá lancharem e comprarem lembranças.

    Mesmo a arte atende a dois tipos de gente. Atende ao público em geral (classe média que tem relativa cultura, pelo menos) e para esse o curador diz que algo é arte, esse vai lá, diverte-se e passa a tarde numa exposição e depois vai para casa como quem foi ao cinema ver Batman. Já a pessoa de fato profundamente dedicada à arte e estética é um público diferente um pouco, pode ir e pensar, pode ir a outros, etc.

    A segunda questão aí é que fotografia em si não é arte. Alguma pode ser arte, mas normalmente é apenas uma forma de mostrar coisas usando para isso princípios estéticos. Nem tudo que é estético é arte. Mas isso é confuso para o mundo porque chama-se de arte aquilo que é arte-menor. Tomemos um exemplo… Pede-se a alguém uma ilustração desenhada para um cardápio. É desenho, é pintura, é “profissão artística”. Mas é Arte? Não, não é. É apenas ilustração, não importa quão seja bom desenhista ou ilustrador quem a fez.

    Fotografia é a mesma coisa, mas até mais isso. 99,9999% da fotografia é feita para atender a algo, a uma venda, a uma revista, a uma ilustração. Fotografia, como o desenho, é uma atividade estética, então é nesse sentido uma arte-menor, isto é, as fotografias devem ser bem feitas e estéticas mas não são arte porque não são em si propostas artísticas mas meramente ilustrações (no mínimo essa resposta, tendo outras).

    Bons fotógrafos não são artistas como imaginam ser. Raríssimos são os fotógrafos artistas de verdade. Mesmo um fotógrafo notável, como recentemente vi uma exposição do Robert Doisneau, é ótimo, sua fotografia interessantíssima, boa, bonita, mas dizer que é arte não corresponde à verdadeira compreensão do que seja arte no sentido maior. Hoje se fala que algo é arte tão somente classificando a coisa no “consumo-de-cultura-na-modulação-artística”, ou seja, ocupar museus, galerias, ser vendida.

    O Doisneau, ótimo fotógrafo, é diferente do Picasso, é diferente do Braque, é diferente dos que de fato dedicaram-se à arte. Isso não diminui sua fotografia que é ótima, excelente, mas tomar como arte só porque foi exposta no museu é usar a palavra arte da forma, digamos, vasta na qual seu sentido fundamental diminui.

    Abraços

    • Ivan como sempre usa bem as palavras, mas não questiono ser arte ou não as imagens, questiono que a arte de fotografar não precisa que o “produto” curador apareça mais que o autor – esse é o ponto! Afinal a exposição tem um nome, que remete ao trabalho de alguém – é esse alguém o elemento principal e não o curador. Abs

  6. Pepe
    Post muito bem elaborado tanto na escrita quanto nas imagens de Valpo.
    Um assunto complicado de falar nos dias de hoje, mas que você relatou muito bem.
    Bjo.
    Ana Druzian.

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