Instantâneo ou procura?

Quanto você pensa para fazer uma foto? Você acredita no instantâneo ou procura pela imagem? Já pensou nessas questões, pois uma legião acredita que Henri Cartier Bresson é o fotógrafo dos instantâneos, será? Ninguém imagina que esse talentoso fotógrafo poderia construir suas imagens como muitos fotógrafos, principalmente os de rua conhecidos como street photographer, o fazem.

Será o que parece? (Foto: Henri Cartier Bresson)

Calma não se assuste ainda não estamos falando de uso dos poderosos software(s) de edição de imagem, construir uma imagem é ir atrás dela, seguir seu instinto, posicionar-se para faze-la antes dessa acontecer. É a capacidade de se movimentar e observar pensando no que poderia ser um click. É avistar algo incomum e ali permanecer a espera do “algo mais” que complete a cena para então apertar o botão. Alguns vão logo dizer mas isso todos fazem! Será?
Mas pense também por outro lado, o lado da manipulação. O fotógrafo ao fazer não está interferindo na cena, não está procurando registrar a sua interpretação da cena. Ai vêm você de novo e diz, mas isso é ser fotógrafo! Também acho! Mas e se for um foto jornalista é valido? Entendo que sim, afinal ser um fotógrafo não é criar uma foto instigante a partir de uma técnica conhecida e aplicar essa no momento de registro ou em nossa linguagem: No click

Instantâneo ou pré construído - Atlantic Beach, NY (Foto: Pepe Mélega)

Agora tudo claro, tudo de acordo com os mais tradicionais, aqueles que amam os filmes e se lamentam da facilidade atual devem estar pensando: “Esse é dos nossos” . Mas na verdade não sou não, se vocês aceitam a manipulação criativa no momento do click feita por grandes mestres da fotografia e as técnicas por eles usadas, por que não assumir que os fotógrafos de hoje fazem o mesmo usando técnicas oriundas de programas de edição específicos para fotógrafos. Por que será (eu já fiz parte) que muitos acham que se trata de uma fotografia inferior com menos “arte”, etc e tal. O que importa não é a imagem final que vemos, então por que não aprecia-la somente, entender a técnica com que foi feita de forma a usa-la em suas próximas construções na hora de clicar. Pense nisso, mas pense com carinho no seu próximo click.

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~ por Pepe Mélega em 21/10/2010.

6 Respostas to “Instantâneo ou procura?”

  1. Que procura, acha! Muito legal esse post. Instigante mesmo! Um conjunto de fatores levam à construção dessas imagens. Muito, mas muito raramente mesmo, ocorre o clic do imprevisto. De um jeito ou de outro, na quase totalidade das vezes, a cena foi prevista. Agora, não acredito que possamos chamar de construção, um trabalho de manipulação digital, que na verdade recria uma cena. São diferentes. Não digo que uma seja seja inferior à outra, apenas diferem na concepção. Abraços Pepe! – ps.: o posto sobre flash na natureza é bem legal também.

  2. Olá Pepe! Como vai?

    Saudades de tí e de Paraty.

    Concordo em parte. Acho que para tudo há alguns limites que se não respeitados, acabam por comprometer a autenticidade de qualquer obra artística. A manipulação ao fazer o click reconheço, existe. Mas eu vou até ai. Depois que o fotógrafo decidiu a cena e clicou, fez a sua primeira “manipulação”. Alguns ajustes como, contraste e brilho, algum corte etc., vá lá! Mas não muito mais que isso. Tudo, absolutamente tudo já foi fotografado. Se não preservarmos pelo menos “como” as coisas são fotografadas, então vai sobrar muito pouco mesmo…

    Pepe, e aquelas ideias dos clubes que conversamos em Paraty, estão andando?

    Abraços,

    alex

  3. Manipulada ou não, o importante é acontecer como instrumento de mensagem. Não sou dos que acham que a manipulação/softwares/digitais fazem uma foto ser “menos” foto do que o click natural espontâneo.
    Ambas podem – e devem – transmitir uma idéia, fazer parte de um contexto, servir de meio de comunicação…
    Para mim, é mais ou menos por aí…
    Um abraço.

  4. Muito legal o tema, acredito que sempre terá polêmica, pois todos de alguma forma criam ou constroem com as ferramentas disponíveis, por isto que gosto particularmente da fotografia de natureza, vc pode melhorar o ângulo/enquadramento trabalha a luz, mas não pode dirigir os animais, aves, plantas e outros elementos.

  5. Acho que os que ainda não aceitam a pós-produção como a pré-produção ou o “sempretemalgumaprodução” estão aos poucos diminuindo em número e um dia esse preconceito vai acabar.
    Mas, ressalto que, particularmente, recorra a todos os recursos possíveis para obter uma imagem, há sempre um prazer orgásmico quando obtenho uma boa imagem num instantaneo único e improduzível.

    Abraço

  6. Não seria a dor que causa a mudança?
    Historicamente a arte sofre partos muito dolorosos, em todos os setores dela.
    Os favoráveis e os contrários se debaterão sempre.
    E o que fazem é apenas tentar congelar o momento que na verdade já começou e vai seguir com ou sem aprovação.
    Grande abraço

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