Morada de Traíra

Tranquilidade que abriga um predador voraz. (Foto: Pepe Mélega)

Quem é pescador vai logo entender o título e associa-lo a foto, mas vai muito além disso as coisas que aprendemos na vida, principalmente quando estamos em “natura”. Quando estou a pescar meus instintos são afiados e sincronizados com o meio, o mesmo quando estou a fotografar. O duro (difícil) e quando estou a fazer os dois como aconteceu no dia dessa foto, pois as vezes tenho que decidir o que fazer primeiro.
No caso da pesca com iscas artificiais eu procuro pelo ambiente propício ao predador que caça. Um tronco, uma pedra ou ambos cercados por uma vegetação no caminho de uma corredeira ou próximo a um lugar onde a profundidade vai diminuindo num remanso de água, esses são locais por onde minha isca deve passar trabalhando – simulando um nado, ou outra artimanha que acontece na natureza que chame a atenção do predador pronto a deferir um ataque. Na fotografia, muitas vezes, não é diferente ficamos a espreita procurando por uma imagem e muitas vezes há os “predadores” que adoram uma lente prontos a atacar com um sorriso para serem fotografados o que torna nossa tarefa ainda mais complicada, né. Explico, quando pesco busco o ataque do predador ao meu engodo (a isca artificial), quando fotografo sou o predador que quer surpreender para registar a imagem com muita naturalidade. Não importa se estou a “roubar” uma foto ou a dirigir pessoas para ter uma foto, o fato é que estou sempre a imitar predadores que com suas habilidades vão tornando a caça mais fácil. Como pescador me esmero em imitar os movimentos que aprendo na natureza e procuro repeti-los. Na fotografia procuro com artimanhas dirigir pessoas para registra-las com naturalidade, procuro me esquivar de uma lado para o outro de forma a melhor compôr meu quadro na hora do click. Por mais socialmente incluso somos seres que imitam comportamentos da vida selvagem!

É fato, acredite e posso seguir dando um outro exemplo: A imagem acima é a típica situação de caça de uma traíra, escondida a espreita por de trás da pedra e usando a vegetação de camuflagem, esse peixe de dentição potente que ataca em velocidade, está aguardando oportunidades ao observar suas presas. Mas, a imagem, transmite uma confortável paz, uma nostálgica beleza que você ficaria a observar sonhando de forma a esquecer seus obstáculos diários. né. Da mesma forma como procede as pessoas que depois são apelidadas de “traíras”. Elas são agradáveis, simpáticas, mas estão sempre te olhando de esgueio e procuram deixar-te confortável explicando o que a elas interessam para depois aplicar o ataque “traíra” com eficiência. Hummm, é a vida sempre a imitar a natureza.

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~ por Pepe Mélega em 24/06/2010.

Uma resposta to “Morada de Traíra”

  1. Realmente só quem pesca consegue sentir totalmente esta foto!!O olhar,o pensamento,o arremesso eo ataque estão inseridos nesta foto!!!Parab´ns tbém pelo texto

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