Sorte?

Voando Alto

Muitas vezes estamos cercados de fotógrafos com equipamentos diversos de todas as espécies prontos a clicar a Cena e só um a consegue, por que? Sorte? Não, diria competência abrangente, principalmente quando o fotógrafo que fez A Foto usava o equipamento menos adequado e mesmo assim se destacou.
Competência abrangente se traduz assim: conhecer o equipamento e suas limitações, conhecer as técnicas que permitem registrar o que o OLHAR vê, conhecer o que se está a fotografar e tirar proveito a seu favor.

A foto acima é um exemplo onde logo se pensa em uma hiper tele de 600mm ou 800mm super rápida (f 4), uma velocidade de obturador muito alta tipo 1/2000 ou para outros uma angular, aproximação extrema e velocidade alta para congelar o momento oferecido pelo hábil esquiador, mas a realidade do Exif (arquivo com informações sobre a imagem) mostra outra coisa. Vejamos: câmera EOS 5D, modo de disparo único, a lente 140mm (70~200mm L 2.8), ISO 100, a abertura 5.6 e a velocidade 1/125 – como 1/125 então foi muita sorte, afirmam alguns. Será?
Vamos pensar, foi um único click, houve aproximação adequada, abertura adequada para a proposta, mas a velocidade não!! Mas o fato de querer usar ISO 100 definiu a velocidade! Então usou muitos flash (s) para iluminar e congelar a cena. Não o Exif mostra que não houve disparo de flash, aliás usou-se um filtro ND Gradual Cokin para equilibrar a latitude para o range do sensor. Então como?

Competência abrangente, usou conhecimento, no caso física – aquela que todos queriam fugir da aula na escola. Tudo que sobe acaba descendo, isso é uma verdade e quando se trata de esportes radicais pode auxiliar o fotógrafo. Entre a subida e a descida há um ponto em que se perde velocidade de ascendência e vai-se começar velocidade de descendência, logo esse é o momento para se clicar. Basta observar, observar e observar – quando se tem essa possibilidade e então estar pronto para o click. Nesse caso o esquiador estava se aquecendo e no trajeto realizava três pulos semelhantes a observação levou a escolher o local e o momento exato de realizar o click.Com a prática se adquire experiência o que vai facilitando a vida de quem faz esse tipo de trabalho fotográfico.
Conclusão: conhecer o que se fotografa, observar e aplicar conhecimentos gerais pode perfeitamente compensar a falta de equipamento adequado.

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~ por Pepe Mélega em 11/01/2010.

13 Respostas to “Sorte?”

  1. Excelente explicação, Pepe.
    Apesar de nunca ter me dedicado a fotografia de esportes, sempre me interessei pelo momento único em que o atleta “paira” no ar. Nas olimpíadas mais antigas, por exemplo, a técnica era o diferencial entre os fotógrafos realmente bons e os menos técnicos.
    De qualquer forma confirma o dito “a prática leva a perfeição”.
    parabéns.
    Clicio

  2. A ideia do texto é essa mesmo, deixar claro que o fotógrafo pode e deve fazer a diferença. Obrigado pelo comentário, abs

  3. Hoje em dia o talento e o conhecimento do fotógrafo está sendo colocado em segundo plano dando-se mais valor para o tamanho da câmera e da lente do que para o conhecimento é técnica do fotógrafo.
    Como sempre digo, quer aprender a fotografar? Estude, estude e fotografe, mas fotografe muuuitooo!
    Abs
    Urch

  4. É isso me impressiona no fotografo. É aquele momento do OLHAR em que todos esperam fazer algo impressionante, mas só um ou alguns aguardam o momento certo para fazer o clique.

    Excelente texto, parabéns.

  5. É interessante como esse texto desconstrói um mito. Mas mais curioso ainda é como ele cria um movimento muito mais cuidadoso, que nos permite apreciar muito mais o trabalho que foi realizado. A primeira conclusão que chegamos ao terminar seu texto é que de fato não é a sorte que determina o sucesso – muito embora, claro, todos nós já tenhamos tido um daqueles momentos iluminados na vida. Talento é bom, mas precisa vir acompanhado de conhecimento, técnica e esforço; ou seja, a “competência abrangente”, que passarei a agregar ao meu dicionário e estabelecer como meta, ainda que fotógrafa amadora.

    Muito obrigada por essa explicação didática e clara, que me permitiu (e possivelmente a tantos outros) alcançar a idéia original.

  6. O texto é essencial não só para os pros , mas para nós, que estamos começando a carreira e enfrentamos limitações não apenas técnicas, mas de equipamento também. Parabéns e obrigado por dividir os pensamentos com a gente!

  7. Muito bom, Pepe!
    Como sabe, meu trabalho principal é como fotógrafo de espetáculos. Por várias vezes fui bombardeado com colocações do tipo “fazer uma boa foto de teatro é fácil, pois a luz, o cenário, o figurino, tudo já foi preparado por diversos profissionais. Então é só apontar e clicar”. Esses desconhecem por completo a necessidade de se entender do que se faz, a ponto de estar no lugar certo, na hora certa, com a câmera ajustada por intuir o que vai acontecer, mesmo sem ter visto nenhum ensaio antes. Nossa sorte está em sabermos o que queremos e nos dedicarmos a ponto de sabermos o que e como fazer.
    Abraços,
    Guto

  8. Oi Pepe querido,
    Estou de ferias e assim mesmo conseguindo acompanhar o seu blog pelo iPhone, isso e a tecnologia… Agora a imagem que você postou seguido do seu valioso comentário nos mostra que foi produto de grande competencia do fotografo!
    Beijo grande, Lucia

  9. vlw… pelo post pepe…
    Open Your Mind…

  10. Olá Pepe,

    Belíssima foto! E excelente post também.
    Acho que é um ótimo complemento para o artigo que o Clicio escreveu em seu blog (“Profissionais/Amadores; quem liga?”), mostrando que, o que faz a diferença é a qualidade, técnica e experiência do profissional.

    Parabéns!

    Abraços
    Denis

  11. Acho que experiência é o maior bem de um fotógrafo. E a experiência não é somente saber tirar o melhor do equipamento. É saber lidar com seu tema fotografado.
    O texto é um ótimo exercício Pepe!
    Parabéns!

    beijo,
    Taty

  12. Pepe
    olhando esse post, um filme passou pela minha cabeça. Há aproximadamente 1 ano, estava em Aspen, Colorado, e resolvi fazer uma fotos de uma competição de skii (Xgames) que estava acontecendo por lá. Era noite, e nevava. Na época, viajei apenas com uma Nikon D70s e uma lente 24-70 f/2.8. Olhando o equipamento dos fotógrafos que estavam lá cobrindo o evento, confesso que tive vergonha de tirar a câmera da bolsa. Mas lembro que pensei muito: o que posso fazer, aqui e agora, com o equip. que tenho?
    Gosto muito dessa aqui: http://www.flickr.com/photos/badalotti/4270721236/sizes/o/in/set-72157622055417653/
    Depois de ler o texto e olhando a foto que você postou, acho que exagerei na velocidade… hoje ao invés dos 320, tentaria 180 e baixaria o ISO.
    Mas a vida de fotógrafo deve ser assim, não é mesmo? Aprender sempre.
    Parabéns pelo blog.

    • Obrigado pelo comentário e pelo exemplo que reforça o Post. Equipamento ajuda muito, mas não transforma ninguém em fotógrafo, conhecimento, dedicação e criatividade são diferenciais. O frio está forte por ai ? Eu estou derretendo em São Paulo esse ano! Abs

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